setembro 22, 2026

Outubro está chegando: qual será o voto de sua empresa para 2027?

3D Bar Graph Meeting

Por Fernando Moulin, CEO & Founder da Polaris Group, professor e especialista em dados, transformação digital e experiência do cliente

No início de 2026, o diagnóstico parecia pronto antes mesmo de o ano começar: teria sido um ano perdido. Afinal, o calendário registrava muitos feriados longos, a Copa do Mundo duraria 40 dias e haveria eleições tensas no fim do ano. Para algumas empresas, o calendário virou explicação antecipada para vendas mais lentas, decisões adiadas e investimentos em compasso de espera.

Bem: os feriados passaram. A Copa terminou em 19 de julho. E agora, enquanto o debate eleitoral volta a ocupar a agenda, em mais dois meses também teremos as escolhas populares consolidadas e novos (ou velhos novos) governantes definidos.

Não sabemos quem vencerá. As pesquisas se movem, as alianças mudam e a campanha ainda produzirá muito ruído. Mas, na manhã seguinte à eleição, sua empresa continuará com clientes para atender, gente para desenvolver, caixa para proteger, concorrentes para enfrentar e decisões para tomar. A urna escolherá um governo. Ela não escreverá a estratégia da sua companhia.

É verdade que o próximo governo receberá uma agenda econômica difícil. A Selic foi reduzida em agosto, mas permanece em 14% ao ano e com perspectivas sombrias. O custo do capital continua alto, a questão fiscal seguirá na mesa e diferentes setores trabalharão com cenários que vão de crescimento moderado a uma desaceleração mais forte. No primeiro trimestre, a necessidade líquida de financiamento do governo geral alcançou 5,73% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. Não é pessimismo reconhecer essas restrições. É irresponsabilidade usá-las como licença para não decidir.

É justamente agora, na temporada de orçamento, que as empresas escolhem de que lado estarão em 2027 — não do lado partidário. Há o time da espera: acompanha cada pesquisa, especula sobre ministros, culpa juros, feriados e Brasília, e deixa a inovação para depois da posse. E há o time da construção: trabalha com cenários, protege o essencial e direciona recursos para aquilo que pode mudar produtividade, receita e experiência do cliente.

Planejar um cenário adverso não significa paralisar. Significa decidir antes o que acelerar, o que interromper e onde concentrar energia. A empresa preparada não depende de acertar o nome do vencedor: ela cria opções para responder rapidamente a qualquer vencedor. Quem espera todas as variáveis se acomodarem não reduz risco; apenas entrega tempo aos concorrentes.

IA em escala, e não como enfeite de PowerPoint

O uso empresarial de inteligência artificial no Brasil avançou de 13% em 2024 para 17% em 2025, segundo o Cetic.br. Entre as grandes empresas, chegou a 50%. Os números mostram duas coisas ao mesmo tempo: a corrida começou e ainda existe enorme espaço para diferenciação. Mas instalar uma ferramenta, liberar um chatbot ou promover um hackathon não coloca ninguém na liderança. O desafio de 2027 é sair do experimento isolado e levar IA para processos reais, com dados, governança, responsáveis e métricas de negócio.

Isso pode significar redesenhar o atendimento, antecipar necessidades dos clientes, aumentar a produtividade comercial, reduzir retrabalho, melhorar decisões e desenvolver novos produtos e serviços. Cada empresa terá prioridades diferentes. O que não muda é a ordem: primeiro o problema de negócio, depois a tecnologia. Ser AI-first não é ser tool-first. É tratar a inteligência artificial como capacidade estratégica, e não como coleção de licenças.

A empresa que começa agora descobre mais cedo o que funciona, forma suas pessoas, corrige seus dados, ajusta processos e entra em 2027 com repertório. A que deixa para janeiro começará o ano procurando orçamento, patrocinador, caso de uso e coragem, enquanto outros já estarão acumulando aprendizado.

Faltam pouco mais de quatro meses para 2027. Faça chuva ou faça sol em outubro, haverá um país para administrar e empresas para liderar. O vencedor da eleição ajudará a definir as condições do jogo. Mas o lado que cada empresa escolhe agora — o da espera ou o da inovação — definirá como chegará a ele. 2027 não começa em janeiro. Já começou há tempos.

Sobre Fernando Moulin

Fernando Moulin é CEO & Founder da Polaris Group, aceleradora estratégica de negócios, professor e palestrante internacional, especialista em dados, transformação digital e experiência do cliente. Graduado em Engenharia Química pela Unicamp, possui MBA Executivo Internacional pela FIA-USP e cursos em instituições como Kellogg/Northwestern, INSEAD, Cambridge e Lingnan University. Tem mais de 25 anos de experiência e passagens executivas por organizações como Telefônica/Vivo, Cyrela, Nokia, Pão de Açúcar, Claro e Citibank. É coautor dos best-sellers “Inquietos por natureza”, “Você brilha quando vive sua verdade” e “Foras da curva” (Editora Gente).

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