setembro 15, 2026

Planejamento tributário ganha força no 2º semestre com Reforma Tributária no radar

Diego Trindade Cáceres, sócio-diretor da Focus Tax

Planejamento tributário ganha força no 2º semestre com Reforma Tributária no radar

Por Diego Trindade Cáceres – Sócio Diretor da Focus Tax

A proximidade do fechamento do ano fiscal, a transição da Reforma Tributária e as constantes mudanças na legislação têm levado empresas a antecipar a discussão sobre planejamento tributário. Uma pesquisa realizada pela PwC Brasil em agosto de 2025 reforça a relevância do tema: 83% das empresas consideraram a área fiscal a mais impactada pela Reforma Tributária, enquanto 93% já envolviam a contabilidade no processo de adaptação. O levantamento mostra que a mudança vem sendo tratada não apenas como uma adequação fiscal, mas como uma transformação que exige revisão de riscos, estratégias e processos. Nesse contexto, no segundo semestre, cresce a procura por análises preventivas que permitam revisar o regime de tributação e a estrutura societária antes de dezembro. O movimento também revela uma mudança de mentalidade entre as companhias que crescem de forma estruturada e já entendem o tributo não apenas como uma obrigação, mas como uma variável estratégica capaz de afetar a competitividade e a capacidade de expansão.

Deixar esse planejamento para o fim do ano pode limitar as alternativas disponíveis para a empresa. Decisões tributárias mais bem estruturadas exigem tempo para a modelagem comparativa de cenários, a avaliação de riscos e a verificação da sustentabilidade jurídica de cada estratégia. Entre os erros observados com maior frequência estão a escolha do regime tributário sem a simulação de alternativas com dados reais, a falta de identificação de créditos e incentivos fiscais e a tentativa de concentrar em dezembro uma análise que deveria acompanhar continuamente a saúde fiscal do negócio.

A procura é maior entre empresas em crescimento estruturado e que possuem operações mais complexas, como múltiplas filiais, estruturas societárias elaboradas ou margens mais sensíveis à tributação. Nesses casos, uma carga tributária mal alinhada pode comprometer o fluxo de caixa e dificultar planos de expansão.

O planejamento realizado com antecedência abre espaço para avaliar com mais cuidado o que pode ser otimizado e quais operações podem ser reorganizadas dentro dos limites legais. A análise pode resultar em economia com tributos, maior previsibilidade financeira e fortalecimento do fluxo de caixa. O impacto também aparece em decisões estratégicas, como investimentos, aquisições e reorganizações societárias, que passam a ser avaliadas considerando não apenas o custo imediato, mas os efeitos tributários de cada cenário.

A tecnologia tem ganhado importância justamente porque a fiscalização eletrônica está cada vez mais sofisticada e exige das empresas o mesmo nível de precisão na análise interna. Ferramentas de dados permitem cruzar informações, identificar padrões e projetar diferentes possibilidades antes da implementação de uma estratégia. A modelagem comparativa de cenários, baseada em dados reais e concretos da operação, ajuda a mensurar a economia potencial e a avaliar os riscos envolvidos em cada alternativa, em vez de recorrer a fórmulas genéricas.

Ao acompanhar indicadores fiscais e financeiros ao longo do tempo, a empresa consegue identificar mudanças que podem alterar a escolha de regime, o aproveitamento de créditos ou a estrutura de determinadas operações. A tecnologia, nesse contexto, não substitui a análise técnica e jurídica, mas amplia a capacidade de interpretar dados e tomar decisões com maior precisão e segurança.

A Reforma Tributária reforça essa necessidade de acompanhamento. Com a transição ainda em curso e novas regras sendo detalhadas, as empresas buscam entender antecipadamente os efeitos sobre suas operações. O maior rigor da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em relação a passivos fiscais e devedores estruturais também aumenta a atenção sobre riscos que antes poderiam ser tratados apenas de forma pontual. Nesse cenário, o interesse por planejamento fora do período tradicional de fechamento fiscal e a busca por revisão de passivos indicam que a gestão dos tributos começa a ocupar um espaço mais permanente na estratégia das empresas.

Diego Trindade Cáceres é Sócio Diretor da Focus Tax, Consultoria e Planejamento Tributário especializada em consultoria tributária estratégica, com atuação em todo o território nacional. Mais informações em focustax.com.br.

Sobre a Focus Tax

Fundada em 2025, a Focus Tax Consultoria e Planejamento Tributário é especializada em consultoria tributária estratégica, com atuação em todo o território nacional. A empresa oferece soluções personalizadas voltadas à eficiência fiscal, segurança jurídica e organização financeira, por meio de serviços como planejamento tributário, recuperação e monetização de créditos, transações individuais junto à PGFN, revisões fiscais, compliance e elaboração de laudos técnicos.

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