agosto 24, 2026

Quanto ganha um estagiário no Brasil? Média de bolsa-auxílio cai no Sudeste, mas dispara no Norte

Guia Bolsa-Auxílio de Estágio 2026 - Companhia de Estágios

O valor médio de bolsa-auxílio pago mensalmente aos estudantes que fazem estágio no Brasil na região Sudeste apresentou queda de 3,13% em um ano, de acordo com a 12ª edição do Guia Bolsa-Auxílio de Estágio 2026, levantamento elaborado pela Companhia de Estágios. A média da região, que historicamente traz os maiores valores do país, mudou de R$ 2.074,05, em 2025, para R$ 2.009,09, em 2026 — ainda a mais alta do Brasil.

A bolsa-auxílio é o valor pago aos estudantes que realizam estágio não obrigatório, fora da carga horária exigida por alguns cursos de graduação. Como a Lei de Estágio (Lei 11.788/08) não estipula um piso salarial fixo para essa modalidade, os valores praticados no mercado nacional flutuam conforme oferta, demanda, região e curso. As informações do levantamento consideram a base de dados interna da Companhia de Estágios, avaliando vagas abertas e geridas pela empresa entre maio de 2025 e maio de 2026, em organizações de pequeno a grande porte em todo o país.

Norte é a segunda região com maior média de bolsa-auxílio

Chama atenção a valorização da média na região Norte: em 2025 o Norte tinha a menor média do país, com R$ 1.461,53; a região registrou um salto de 14,6% e chegou a R$ 1.674,80 em 2026, superando Sul, Nordeste e Centro-Oeste e se tornando a segunda região com o estágio mais bem pago do país. O Sul também registrou alta, para R$ 1.637,83 (+2,38%). Já o Nordeste teve queda de 1,91%, para R$ 1.562,51, e o Centro-Oeste registrou a maior retração entre as regiões, de 2,13%, com média de R$ 1.511,69.

“A variação regional reflete a dinâmica econômica e a demanda por talentos em diferentes polos de desenvolvimento do país”, explica Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios.

Destaque para Enfermagem entre os cursos de graduação

O levantamento aponta que estudantes de Enfermagem são os que obtêm maior valorização da bolsa-auxílio ao longo da formação: entre o terceiro e o quinto ano, a remuneração média salta para R$ 2.423,69, crescimento de quase 47% em relação aos dois primeiros anos da faculdade. Em relação a 2025, o valor médio pago a esses estudantes subiu de R$ 1.602,00 para R$ 2.416,43.

Os cursos com as maiores médias nos períodos finais são Enfermagem (R$ 2.423,69), Secretariado Executivo (R$ 2.417,80), Economia (R$ 2.403,03), Ciência da Computação (R$ 2.313,53) e Webdesign (R$ 2.310,00). Na outra ponta, Jornalismo (R$ 1.634,69), Letras (R$ 1.358,52) e Educação Física (R$ 1.197,30) registram as médias mais baixas.

Por setor econômico, o Financeiro (R$ 3.055,62) e os Bancos de Investimento (R$ 2.889,10) seguem pagando as maiores bolsas, seguidos por Tecnologia (R$ 2.746,49), Indústria Farmacêutica e Telecomunicações (ambos R$ 2.207,33). Na outra extremidade estão Indústria Automobilística (R$ 1.648,65), Moda (R$ 1.600,00) e Óleo e Gás (R$ 1.577,27).

Para Mavichian, o valor da bolsa-auxílio é apenas parte da equação na hora de atrair jovens talentos. “Hoje, o pacote de benefícios oferecido à parte é um fator decisivo para o estudante escolher onde vai trabalhar. Além disso, pesam na escolha o modelo de trabalho — sendo o híbrido o mais valorizado — e também a flexibilidade de horário. O que a geração Z e a alfa valorizam muito também são as empresas que investem de verdade no seu desenvolvimento”, afirma o executivo.

No ensino técnico, as bolsas mais valorizadas vão para Informática (R$ 1.710,81), Agronegócio e Secretariado (ambos R$ 1.600,00), Eletroeletrônica (R$ 1.528,44) e Mecatrônica (R$ 1.497,75). Já Contabilidade (R$ 1.000,00), Edificações (R$ 987,56) e Nutrição (R$ 950,00) apresentam as menores médias do levantamento.

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