Com mais de 6 mil empresas em reestruturação, agronegócio e varejo lideram os pedidos. Especialista do Marcos Martins Advogados analisa as novas estratégias para preservar negócios e atrair investimentos.
O Brasil registrou o recorde de 6.341 empresas em Recuperação Judicial (RJ) em julho, uma alta de 22% em 12 meses, segundo o Monitor RGF-BIZDOC. Nesse cenário, as reestruturações adotaram novas dinâmicas: a Recuperação Extrajudicial (RE) virou a primeira escolha de grandes companhias em busca de agilidade, enquanto a RJ se consolida como um ambiente seguro para o M&A distressed (compra de ativos estressados).
Gustavo Arbach, sócio do Marcos Martins Advogados e especialista em Direito Empresarial e Societário, ressalta que o alto custo da dívida, somado à falta de reformas estruturantes e ao elevado gasto público, mantém a pressão sobre o caixa das empresas, impulsionando a busca por renegociações criativas e seguras. Entre os pontos que podem ser analisados:
- A lógica por trás de casos de grandes devedores, como Raízen, Braskem e GPA, que optaram pela recuperação extrajudicial. O foco é a velocidade (o acordo do GPA, por exemplo, foi fechado em apenas 56 dias) e a maior margem para negociar agressivamente a redução de juros e multas com credores bancários, preservando ao máximo a operação.
- O uso do ambiente protegido da recuperação judicial para a alienação de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), marcas ou fatias do controle societário. A estruturação dessas operações via RJ confere blindagem jurídica aos investidores de special situations, viabilizando a aquisição de ativos estratégicos com descontos significativos e com a garantia legal de não sucessão de passivos trabalhistas e tributários.
- Embora grandes redes varejistas (como Casas Bahia, Habib’s e Marabraz) chamem a atenção da mídia devido à dependência do crédito ao consumidor, o agronegócio é, na verdade, o setor mais afetado do país. Empresas do agro, a exemplo do AgroGalaxy, sofrem com a variação do dólar e conflitos geopolíticos globais.
- Como a taxa de juros elevada e o controle de gastos públicos ditam o ritmo dessa onda de endividamento, e as perspectivas de sobrevivência e retomada de fôlego do ambiente corporativo a curto e médio prazo.