agosto 7, 2026

Referência em tecnologia, Fábio Akita vê nascer um novo perfil profissional: o orquestrador de agentes de IA

Fábio Akita, especialista em tecnologia

Para o especialista, a IA não substitui bons profissionais, mas redefine o mercado e ameaça os despreparados

Uma pergunta recorrente no trabalho, em casa e entre amigos: a inteligência artificial (IA) ameaça o futuro das profissões? E quando o mercado em questão é o de tecnologia, estaríamos diante de um paradoxo — o avanço tecnológico substituindo justamente quem desenvolve essas tecnologias?

Para um dos principais especialistas no assunto no Brasil, o programador Fábio Akita, com décadas de experiência em computação, cofundador e membro do conselho consultivo da Codeminer42, boutique brasileira de desenvolvimento de softwares, a resposta é não. A IA não está e não vai substituir profissionais.

Isso não significa que eles estejam em zona de conforto. Os profissionais em geral — os bons, ressalva Akita — não serão trocados pela máquina, desde que se preparem para as novas realidades de suas profissões, entre elas saber lidar com os agentes de IA: sistemas de software baseados em inteligência artificial capazes de executar tarefas, interpretar informações e automatizar processos de forma autônoma.

Momento é de usabilidade

Passado o boom inicial da IA após a estreia do ChatGPT em novembro de 2022, o setor vive agora uma fase menos focada em lançamentos de novos modelos de linguagem e mais no aprimoramento da aplicação prática.

“Nesse novo cenário, profissionais passam a atuar como ‘orquestradores de agentes de IA’, uma função estratégica, responsável por coordenar múltiplos sistemas inteligentes na resolução de problemas com eficiência. Na prática, isso significa projetar e integrar fluxos entre diferentes plataformas de IA, utilizando processos estruturados para executar, em poucas horas, tarefas que antes exigiam dias e equipes inteiras”, avalia Akita.

O que tende a ser eliminado são as tarefas operacionais e repetitivas. Quem insistir em se manter nesse nicho, sem se preparar para a nova realidade, estará fadado a perder espaço para a IA e seus agentes, adverte o especialista.

“Os empregos mais vulneráveis são aqueles baseados em tarefas repetitivas, previsíveis e de baixa complexidade. Funções operacionais, que antes exigiam tempo e esforço humano, agora podem ser executadas com maior rapidez por sistemas inteligentes. Na verdade, a IA funciona mais como um amplificador de competências do que como um substituto direto de talentos”, explica Akita.

“Se o profissional já é bom, consegue usar a IA para eliminar o trabalho repetitivo e focar no que realmente importa, que é atuar em níveis mais estratégicos”, pontua. Para ele, a capacitação continuada é indispensável: “Não há espaço para estagnação. Profissionais continuarão relevantes, desde que evoluam junto com a tecnologia. O domínio de fundamentos, aliado ao uso inteligente da IA, será o diferencial competitivo.”

Um dos primeiros grupos a sentir os impactos da IA sobre a forma de trabalhar foi justamente o de profissionais de tecnologia — razão pela qual a própria Codeminer42 tem adaptado sua atuação, oferecendo formação e aprimoramento contínuos a engenheiros de software. “A capacitação de profissionais tem sido fundamental para o crescimento sustentável da empresa e para a manutenção da excelência na entrega”, afirma Carlos Lopes, sócio e diretor de novos negócios da Codeminer42, fundada em 2011 e com desenvolvedores alocados em projetos no Brasil e no exterior, principalmente nos Estados Unidos.

A adoção da IA já é um caminho sem volta. Segundo o AI Index Report 2026, da Universidade de Stanford, a inteligência artificial generativa alcançou 53% de adoção populacional em apenas três anos, enquanto a adoção corporativa chegou a 88%. Os ganhos de produtividade com IA, segundo o estudo, variam de 14% a 26% em áreas como atendimento ao cliente e programação.

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