outubro 10, 2026

Reforma Tributária: 5 pontos que empresas do Simples devem acompanhar ao escolher o modelo híbrido

José Ronaldo da Costa, Alterdata

Com IBS e CBS fora do DAS a partir de 2027, empresas precisarão acompanhar emissão de notas, sistemas, créditos, preços e fluxo de caixa para identificar impactos da mudança

Para as empresas do Simples Nacional que optarem por recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, a escolha é apenas o primeiro passo. A partir de janeiro de 2027, esses dois tributos deixarão de ser recolhidos dentro do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) e passarão a ser apurados pelas regras do regime regular. A opção será válida inicialmente para o período de janeiro a junho de 2027.

Na prática, isso significa que os primeiros meses de 2027 serão importantes para entender como a nova dinâmica afeta a rotina financeira e fiscal da empresa. Emissão de documentos, sistemas de gestão, formação de preços, créditos tributários, fornecedores e fluxo de caixa estão entre os pontos que merecem acompanhamento.

Para José Ronaldo da Costa, presidente e cofundador da Alterdata, o principal cuidado é não considerar a escolha do modelo híbrido como uma etapa encerrada.

“Optar pelo regime regular para IBS e CBS não significa que a empresa resolveu a questão da Reforma Tributária. A partir daí, começa uma fase de acompanhamento. O empresário precisa olhar para os números, conferir se os processos estão funcionando corretamente e entender se o que foi projetado antes da mudança está acontecendo na prática”, afirma.

O que acompanhar nos primeiros meses?

1. Confira se o sistema está calculando corretamente

Uma das primeiras preocupações deve ser verificar se o sistema de gestão está preparado para as novas regras e se as informações estão sendo processadas corretamente.

A empresa deve acompanhar a emissão dos documentos fiscais, o cálculo dos tributos e a integração das informações com a contabilidade. Eventuais inconsistências identificadas nos primeiros meses podem ser corrigidas antes que se transformem em problemas maiores.

“A tecnologia precisa acompanhar a mudança tributária. Não basta atualizar o sistema e presumir que está tudo resolvido. É importante conferir os resultados, identificar possíveis divergências e manter o diálogo entre o empresário, o contador e o fornecedor da tecnologia”, explica José Ronaldo.

2. Observe o impacto no fluxo de caixa

Com IBS e CBS sendo apurados fora do DAS, a empresa precisa entender como os novos pagamentos se encaixam no calendário financeiro do negócio.

O acompanhamento do caixa deve considerar o momento em que a empresa recebe pelas vendas, os compromissos com fornecedores, despesas fixas e o pagamento dos tributos.

A recomendação é comparar o fluxo de caixa projetado antes da mudança com o comportamento real dos primeiros meses de 2027. Se houver diferença significativa, o empresário terá tempo para ajustar o planejamento.

3. Acompanhe os créditos tributários

Uma das diferenças do modelo híbrido está justamente na apuração de IBS e CBS pelo regime regular. Por isso, empresas que fizeram a escolha precisam acompanhar como os créditos relacionados às suas operações estão sendo registrados e aproveitados.

O tema pode ter impacto especialmente para negócios que vendem para outras empresas, já que a dinâmica de créditos pode influenciar as relações comerciais dentro da cadeia.

“Esse é um ponto que precisa ser acompanhado de perto porque o impacto da mudança não termina na empresa. O negócio está inserido em uma cadeia, e as decisões de fornecedores e clientes também podem influenciar os resultados”, afirma o presidente da Alterdata.

4. Reveja os preços e as margens

Os primeiros meses também serão importantes para verificar se a formação de preços definida antes da Reforma Tributária continua adequada.

O empresário deve acompanhar a margem efetivamente obtida nas vendas e comparar os resultados com as projeções feitas durante a preparação para 2027.

Isso não significa alterar preços automaticamente, mas entender se os custos, tributos e demais despesas estão sendo corretamente considerados na operação.

5. Compare o planejado com o realizado

Uma das ferramentas mais simples para acompanhar a adaptação é criar uma rotina de comparação entre as projeções feitas antes da mudança e os resultados efetivos.

Entre os indicadores que podem ser acompanhados estão:

  • valor das vendas;
  • margem de cada produto ou serviço;
  • tributos apurados;
  • créditos registrados;
  • prazo médio de recebimento;
  • despesas da operação;
  • fluxo de caixa;
  • custos com fornecedores.

A partir desses dados, o empresário pode identificar rapidamente onde a realidade está diferente do cenário projetado.

Não é só uma mudança tributária

Para José Ronaldo, um dos principais erros seria tratar a Reforma Tributária como uma questão exclusivamente do contador.

“A Reforma Tributária passa pela contabilidade, mas também passa pela gestão. O empresário precisa entender o que está acontecendo com o preço, com o caixa, com os clientes e com os fornecedores. Quanto mais integrado estiver esse acompanhamento, mais rápido será possível perceber os efeitos da mudança e tomar decisões”, afirma.

A própria regulamentação prevê que a opção pelo regime regular do IBS e da CBS tenha caráter semestral. Para o segundo semestre de 2027, existe uma nova janela de opção em março, destinada às empresas que não fizeram a escolha para o primeiro semestre.

Isso torna o primeiro semestre também um período de aprendizado. A empresa poderá usar os resultados dos primeiros meses para avaliar sua operação e tomar decisões para a etapa seguinte.

Tecnologia como aliada na transição

A mudança também aumenta a importância dos sistemas de gestão para pequenas empresas. Em vez de depender apenas de controles manuais ou planilhas, o empresário pode utilizar os dados gerados pela própria operação para acompanhar os impactos da nova tributação.

“Em uma mudança desse tamanho, a informação passa a ser ainda mais importante. O empresário precisa saber quanto vende, quanto custa, quanto recebe e qual é o impacto dos tributos na operação. A tecnologia ajuda a organizar esses dados e transformar informação em uma ferramenta de gestão”, conclui José Ronaldo.

Sobre a Alterdata
Desde 1989 no mercado de software, a Alterdata desenvolve soluções próprias para empresas de diferentes segmentos e já ultrapassou a marca de 1 milhão de usuários, 600 mil sistemas vendidos e 65 mil clientes. A empresa acredita que bons produtos são fundamentais, mas que um ótimo atendimento é essencial, por isso mantém como filosofia o investimento contínuo em soluções, relacionamento e qualidade no atendimento às suas equipes e aos seus clientes.

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