Este ano é considerado o “ano teste” da Reforma Tributária: empresas já precisam se adaptar às novas regras envolvendo a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A Receita Federal estabeleceu obrigações relacionadas à emissão de documentos fiscais com destaque dos novos tributos e avança na definição dos cronogramas técnicos para adaptação dos sistemas.
O estudo “Tributos no centro: caminhos para a reinvenção”, realizado pela PwC Brasil em 2025, aponta que 83% das empresas esperam um impacto alto e imediato da Reforma Tributária em suas operações. A pesquisa mostra que a adequação envolve diferentes áreas da companhia — tecnologia, contabilidade, operações, comercial, suprimentos e logística —, reforçando que as decisões não podem ficar concentradas apenas no departamento tributário.
A transição, no entanto, será gradual e se estenderá até 2033. Segundo especialistas do setor, o papel da liderança executiva é fundamental para evitar que a adaptação aconteça de maneira isolada dentro da organização: empresas que anteciparem essas mudanças podem ganhar mais capacidade de planejamento e reduzir riscos durante o período de transição.
Além da adaptação técnica, existe um desafio de liderança: preparar as equipes para uma transformação que se estenderá por vários anos. A capacitação é um componente importante da estratégia, já que novas regras e processos precisarão ser incorporados à rotina dos profissionais — a Receita Federal, por exemplo, estruturou em 2026 um curso com 18 módulos voltado à capacitação sobre a Reforma Tributária do Consumo.
O desafio de conectar as áreas da empresa
Para os CEOs, o desafio será compreender como a Reforma Tributária pode alterar a forma de fazer negócios e preparar a cultura organizacional para o novo cenário. A melhora da comunicação interna e o alinhamento entre liderança e colaboradores podem ser determinantes para que a transformação aconteça com menos resistência e riscos.
A liderança precisa entender onde a empresa poderá perder ou ganhar competitividade durante a transição e quais áreas do negócio estarão mais expostas às mudanças. Na prática, enquanto o financeiro calcula os impactos tributários, o comercial avalia preços, o jurídico revisa contratos e a tecnologia adapta sistemas, cabe à liderança definir como essas mudanças se encaixam na estratégia de crescimento e competitividade da companhia.