junho 2, 2026

Saúde inteligente: aplicações da IA na saúde brasileira

Ketlin Mikaela Medeiros Santos

O uso da Inteligência Artificial (IA) ganhou proporções imensuráveis com sua popularização e facilidade de acesso promovido pelos meios de internet, no entanto, pouco se é observado na esfera pública como as aplicações possuem impactos benéficos no campo da saúde. Segundo pesquisa apresentada por TIC Saúde, a utilização de IA está presente em 18% dos estabelecimentos de saúde do Brasil, sendo 11% em serviços públicos em contraste 21% nos privados. Esses dados reforçam como a aplicação de IA nos sistemas de saúde passou a ocupar um espaço real em hospitais, clínicas e centros de atendimento.  

Dentre as aplicações da inteligência artificial na saúde se destacam as relacionadas a organização de processos clínicos e administrativos 45%, segurança digital 36%, aprimoramento de tratamentos 32%, logística 31%, gestão de recursos humanos 27%, contribuição em diagnósticos 26% e dosagem de medicações 14%. Os dados demonstram como a utilização de IA vai além do que inicialmente foi sua aplicação em identificação de doenças, agora contribui para otimizar rotinas, reduzir burocracias e aprimorar a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. 

Os benefícios práticos da implementação de inteligência artificial nos processos de saúde ajudam a reduzir erros, acelerar processos de análise de dados que demorariam sobremaneira apenas com o trabalho humano. Em hospitais e clínicas já existem sistemas inteligentes para identificar padrões em exames, prever riscos clínicos, auxiliar em tomadas de decisões e aprimorar fluxo de atendimento, resultando de maneira prática em mais agilidade, precisão e segurança no cuidado com paciente.

 No entanto, se faz necessário ressaltar, que mesmo com os diversos cenários positivos que o uso da IA contribui, é importante refletir sobre os limites, impactos e cuidados necessários no uso das tecnologias. A inteligência artificial não substitui o olhar humano, empatia e sensibilidade presente no dia a dia de profissionais da saúde. Além disso, são válidas as preocupações relacionadas a privacidade de dados, segurança da informação e desigualdade no acesso à tecnologia entre instituições privadas e públicas, por exemplo. 

 É essencial considerar o processo de capacitação de profissionais que atuam com as ferramentas de IA, levando em conta que a tecnologia evolui rapidamente e, acompanhar as mudanças se torna essencial para um uso crítico, ético e seguro. Além de aprender o uso dos recursos de tecnologia digital, os profissionais precisam desenvolver a capacidade de interpretar as respectivas informações geradas pelos sistemas de IA sem silenciar sua autonomia clínica e raciocínio humano. 

 A implementação de IA nos processos em saúde no Brasil representa uma grande oportunidade de transformação ao tornar os serviços mais organizados, ágeis e eficientes. No entanto, para que essa aplicação seja de fato positiva, ela precisa caminhar aliada à responsabilidade, regulamentação e valorização dos profissionais da saúde. Afinal, por mais avançada que sejam as ferramentas de tecnologias, cuidar de pessoas continuará sendo uma tarefa essencialmente humana.

*Profª Ketlin Mikaela Medeiros Santos é Fisioterapeuta, mestre em Tecnologia em Saúde pela PUCPR, doutoranda em Tecnologia em Saúde pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), docente do curso de Fisioterapia da UNINTER e pesquisadora na área de tecnologias aplicadas à saúde e reabilitação.

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