outubro 29, 2026

Startup brasileira de privacidade usa estrutura nos EUA para crescer sem investidores e chegar a 60 mil sites em 30 países

AdOpt, especializada em compliance de cookies, incorporou nos Estados Unidos em 2021, passou a faturar em dólar e foi adquirida por um grupo francês

Em agosto de 2020, quando ficou claro que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entraria em vigor sem o adiamento esperado, a landing page da AdOpt saltou de 50 para 5 mil acessos por dia. A ferramenta de consentimento de cookies ainda dava os primeiros passos. Os fundadores tinham acabado de perder a empresa anterior, um SaaS de big data, na pandemia, e já haviam decidido apostar no novo produto. O pico de interesse confirmou a aposta e acelerou o plano de construir uma operação pensada para o mercado global.

Hoje, a empresa está presente em 30 países e é usada em mais de 60 mil sites. A trajetória inclui crescimento 100% bootstrap, sem rodadas de investimento, e a aquisição por um grupo francês. Por trás dela está uma decisão tomada ainda no primeiro ano de operação: operar a partir de uma empresa nos Estados Unidos.

A motivação dos sócios partiu de uma avaliação estratégica. Para vender um software de compliance, em que o cliente arrisca uma multa de até 2% do faturamento, a origem da empresa pesava na decisão de compra. Ter sede americana reduzia a desconfiança em relação a fornecedores latino-americanos e ainda livrava a operação da burocracia brasileira de cartórios, juntas comerciais e cadastros.

“Na empresa anterior, sentimos na prática o quanto a estrutura burocrática pode tomar tempo de quem está começando. Por isso, quando criamos a AdOpt, quisemos uma operação mais ágil e preparada para crescer em qualquer mercado. Também pesou a confiança: em compliance, o cliente precisa ter segurança total no fornecedor que escolhe, e uma estrutura global ajudava a transmitir essa credibilidade desde o primeiro contato”, afirma Adonis Batista, CEO da AdOpt.

Do boleto ao dólar

No fim de 2020, a AdOpt somava entre 8 mil e 10 mil usuários no modelo freemium e seus primeiros 100 clientes pagantes, todos via boleto. Em junho de 2021, a startup formalizou a incorporação nos EUA com a Globalfy, plataforma que ajuda estrangeiros a abrir e gerenciar empresas nos EUA. Os sócios conheciam opções gratuitas, mas preferiram um parceiro com atendimento especializado para lidar com a complexidade do processo.

O efeito foi imediato. Duas semanas depois, a empresa integrou pagamentos recorrentes por cartão via Stripe e, no fim do mesmo mês, já tinha 100 clientes recorrentes. Em setembro, eram 400 clientes pagantes e US$ 5 mil de receita recorrente mensal.

“O empreendedor brasileiro costuma enxergar os Estados Unidos apenas como um mercado consumidor, mas a estrutura americana também muda o acesso a capital, a forma de precificar e a percepção de confiança. Com receita recorrente em dólar, a empresa pode acessar linhas de crédito baseadas no próprio faturamento, sem garantias tradicionais, algo muito distante da realidade de quem depende de antecipação de recebíveis no Brasil”, afirma Diego Sampaio, CEO da Globalfy.

A dolarização também trouxe previsibilidade. Na empresa anterior, os fundadores pagavam até US$ 5 mil por mês em infraestrutura de nuvem, cobrados em dólar, enquanto faturavam em reais. Com receita e custos na mesma moeda, a exposição ao câmbio deixou de distorcer as projeções de crescimento.

Uma empresa pronta para o mercado global

A estrutura americana também pesou quando a AdOpt despertou o interesse de compradores estrangeiros. Organizada desde o início em um padrão jurídico e contábil reconhecido internacionalmente, a empresa se tornou mais fácil de ser compreendida e avaliada por investidores de fora do Brasil.

“Desde o início, queríamos construir uma empresa preparada para receber investidores ou compradores de qualquer lugar do mundo. A estrutura americana segue padrões jurídicos e contábeis que o mercado internacional já conhece bem, o que torna a conversa muito mais simples para quem está avaliando o negócio de fora. Isso nos deu a tranquilidade de crescer sabendo que estávamos prontos para as oportunidades que surgissem”, diz João Bruno Soares, co-fundador da AdOpt.

Para o CEO da Globalfy, o caso ilustra um movimento que vai além da internacionalização de vendas. “Investidores e compradores de qualquer parte do mundo sabem navegar uma empresa americana. E dificilmente alguém compra uma startup com toda a base de clientes concentrada em um único país. Empresas que validam seu produto nos Estados Unidos e em mais de um mercado tendem a ter um valuation muito maior”, afirma.

Sobre a Globalfy: plataforma completa que auxilia empreendedores a abrir, estruturar e gerenciar suas empresas nos Estados Unidos. Com 11 anos de atuação no mercado, já atendeu mais de 12 mil founders em mais de 100 países, unindo tecnologia, compliance e suporte especializado em todas as etapas da jornada, da abertura à gestão fiscal do dia a dia. Fundada por Diego Sampaio (CEO) e Eva Palatinsky (CPO). Mais informações em www.globalfy.com.

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