Durante muitos anos, investir em treinamento significava reunir corretores em auditórios para apresentar novos empreendimentos ou revisar técnicas de vendas. Agora, esse modelo começa a dar lugar a uma nova estratégia: a criação de ecossistemas permanentes de desenvolvimento profissional.
Nos últimos meses, incorporadoras como Tamboré Urbanismo, Arqos e Mitre Realty anunciaram plataformas próprias de aprendizagem voltadas à formação contínua de seus parceiros comerciais. Embora diferentes em suas propostas, todas compartilham um mesmo objetivo: preparar os profissionais para um consumidor mais informado, exigente e conectado.
Para Andressa Machado, especialista em estratégia comercial para o mercado imobiliário e CEO da Sísmica, criadora e coordenadora dos projetos, esse movimento marca uma das maiores transformações já vividas pela profissão: “durante décadas o diferencial competitivo estava no produto. Hoje ele está nas pessoas que representam esse produto diante do cliente”, afirma.
Segundo a especialista, a criação de universidades corporativas demonstra que as empresas passaram a enxergar a educação como uma estratégia de negócios, e não apenas como uma ferramenta de treinamento. “O mercado percebeu que não basta lançar bons empreendimentos. É preciso desenvolver profissionais capazes de interpretar necessidades, construir confiança e oferecer uma experiência de compra compatível com um consumidor muito mais preparado”, enfatiza.
A mudança acompanha transformações profundas no comportamento do comprador, impulsionadas pela digitalização, pelo acesso facilitado à informação e pelo avanço da inteligência artificial. “Ninguém compra um patrimônio importante apenas porque recebeu uma boa apresentação de produto. O cliente busca alguém que o ajude a tomar decisões complexas”, lembra Andressa.
Em sua avaliação, esse novo cenário também redefine o papel do corretor: “estamos deixando para trás a figura do vendedor tradicional e formando consultores patrimoniais. Isso exige aprendizagem contínua, visão estratégica e desenvolvimento de competências humanas.”
Andressa acredita que iniciativas como as lançadas recentemente por grandes incorporadoras representam apenas o início de uma transformação que deverá se consolidar nos próximos anos. “O corretor do futuro já começou a ser formado. A pergunta agora é: quem está se preparando para esse novo mercado?”, finaliza.