agosto 7, 2026

Varejo fecha primeiro semestre em queda de 2,2%, apesar de reação no segundo trimestre, aponta IICV

Varejo físico no Brasil

Índice da Seed Digital mostra crescimento de 1,0% entre abril e junho, após retração de 5,4% nos três primeiros meses do ano

O varejo físico brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com retração de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do resultado acumulado negativo, o desempenho ao longo dos seis meses mostra uma melhora gradual: após queda de 5,4% no primeiro trimestre, o setor cresceu 1,0% entre abril e junho.

Os dados fazem parte do Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), levantamento realizado pela Seed Digital com base em mais de 58 milhões de visitantes monitorados mensalmente em milhares de lojas em todo o Brasil.

A trajetória do semestre foi marcada por forte oscilação. Depois de avançar 6,1% em janeiro, o varejo registrou queda na intenção de compra de 10,2% em fevereiro, o pior resultado do período. Em março, a retração mais moderada, de 0,7%, começou a sinalizar estabilização. A melhora ganhou força em abril, com alta de 4,1%, e foi mantida em maio, quando o índice avançou 0,4%. A sequência positiva foi interrompida em junho, que encerrou com queda de 1,4%, influenciada pelas mudanças no fluxo de consumidores durante os jogos da Copa do Mundo.

“O primeiro semestre teve dois momentos bastante distintos. O impacto mais forte aconteceu no início do ano, enquanto o segundo trimestre mostrou uma reação importante. O resultado acumulado ainda é negativo, mas a redução das perdas indica que o varejo conseguiu recuperar parte do fôlego ao longo dos últimos meses”, afirma Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital.

Quatro regiões crescem no segundo trimestre

O desempenho regional também evidencia a melhora observada entre abril e junho. Quatro das cinco regiões brasileiras encerraram o segundo trimestre no campo positivo: Sul (4,4%), Centro-Oeste (2,0%), Norte (0,6%) e Sudeste (0,2%). O Nordeste foi a única região a registrar retração, de 1,0%.

Apesar dessa reação, o avanço não foi suficiente para reverter integralmente as perdas acumuladas no início do ano. No fechamento do semestre, apenas o Norte permaneceu positivo, com alta de 0,1%. O Centro-Oeste ficou próximo da estabilidade, com variação negativa de 0,1%, enquanto Nordeste (0,4%), Sudeste (2,3%) e Sul (5,5%) encerraram o período em queda.

Lojas de rua reagem, mas shoppings lideram no semestre

Os dois principais formatos do varejo também apresentaram trajetórias diferentes ao longo do período. No segundo trimestre, as lojas de rua cresceram 0,9%, enquanto os shopping centers registraram queda de 1,0%.

Mesmo com a reação das lojas de rua no período mais recente, o resultado acumulado do semestre ainda favorece os shopping centers, que encerraram os seis primeiros meses do ano com crescimento de 0,8%. As lojas de rua, mais afetadas pelo desempenho do primeiro trimestre, acumulam retração de 2,8%.

Segundo semestre exigirá planejamento e eficiência

O segundo semestre deverá combinar oportunidades comerciais relevantes com um ambiente de maior incerteza. O calendário eleitoral e a transição da Reforma Tributária podem influenciar a confiança dos consumidores e ampliar a cautela nas decisões de compra. Ao mesmo tempo, o varejo se aproxima do período mais importante do ano, marcado pela Black Friday e pelo Natal — o que exigirá planejamento mais preciso na gestão de estoques, na definição de estratégias promocionais e na execução das operações.

“O segundo semestre deve exigir capacidade de adaptação. Em um ambiente de mudanças rápidas, transformar dados em decisões será fundamental para preservar margens, aproveitar as datas comerciais e responder às alterações no comportamento do consumidor”, complementa Raulino.

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