Margem, estoque, perdas e fluxo de caixa ajudam o gestor a entender se o crescimento do faturamento está se convertendo em resultado.
O consumo nos lares brasileiros acumula crescimento real de 2,71% em 2026, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). O aumento das vendas, porém, não garante melhora da rentabilidade. A Pesquisa de Eficiência Operacional 2026 da entidade mostra que 29,76% das empresas analisadas elevaram o faturamento e, ao mesmo tempo, registraram aumento das perdas. Para o dono de supermercado, o desafio é saber se o movimento maior da loja está efetivamente chegando ao lucro e ao caixa.
Vanderlei Goulart, contador e consultor empresarial, fundador e diretor-presidente da Meta Assessoria, empresa especializada em gestão contábil e fiscal com forte atuação no varejo supermercadista, afirma que acompanhar apenas o faturamento pode levar a uma leitura incompleta. “O supermercado pode vender mais e ainda terminar o mês com menos margem ou com o caixa pressionado. O gestor precisa saber quanto custou vender, quanto perdeu na operação, quanto dinheiro ficou parado no estoque e quanto efetivamente sobrou depois das despesas”, explica.
A própria pesquisa da ABRAS mostra essa diferença. Entre as empresas avaliadas, 45,95% conseguiram combinar aumento de faturamento com redução de perdas. A eficiência operacional média do setor chegou a 98,18%, equivalente a perdas de 1,82%.
Faturamento é só o começo
O primeiro passo é olhar faturamento, margem bruta e custo da mercadoria vendida (CMV) em conjunto. Se as vendas sobem, mas o custo dos produtos avança em velocidade maior, parte do crescimento desaparece antes mesmo do pagamento das demais despesas. A margem líquida mostra quanto efetivamente sobra para a empresa. Já o ticket médio ajuda a entender se a alta nas vendas veio de mais clientes ou de um gasto maior por compra.
“Não basta saber que a venda cresceu. O supermercadista precisa olhar se a margem acompanhou, se o custo aumentou e se o caixa melhorou. Quando apenas o faturamento sobe, existe o risco de confundir movimento com resultado”, afirma Vanderlei.
Estoque e perdas precisam entrar na conta
Giro e cobertura de estoque ajudam a identificar se o supermercado está comprando na velocidade certa. Estoque acima da necessidade significa dinheiro parado e, dependendo da categoria, maior risco de vencimento, avarias e perdas.
Esse acompanhamento precisa ser feito também por departamento. Açougue, padaria, hortifrúti, mercearia e bebidas têm comportamentos diferentes de margem, giro e quebra. Olhar apenas o resultado total da loja pode esconder uma área que vende bastante, mas entrega pouca rentabilidade. As perdas também precisam ser acompanhadas mensalmente: diferenças de inventário, vencimentos, desperdícios e falhas operacionais reduzem o resultado mesmo quando o faturamento segue em alta.
O caixa mostra se o crescimento é sustentável
Fluxo de caixa e capital de giro indicam se o supermercado consegue financiar a própria operação. É possível ter lucro no papel e, ainda assim, enfrentar falta de dinheiro para pagar fornecedores, folha ou outras despesas. Isso acontece quando há descasamento entre recebimentos e pagamentos, excesso de estoque ou endividamento elevado.
É nesse ponto que a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) ajuda a organizar a leitura. O demonstrativo reúne receitas, custos e despesas e mostra se a operação terminou o período com lucro ou prejuízo.
DRE precisa chegar no tempo da decisão
Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e diretor da Meta Assessoria, destaca que o relatório só ajuda quando os dados são confiáveis e chegam rapidamente ao gestor.
“PDV, estoque, compras, financeiro, fiscal e contabilidade precisam trabalhar com informações que conversem entre si. Se cada área fecha seus números em um momento ou de uma forma diferente, o empresário pode ter vários relatórios e continuar sem saber qual representa a realidade da loja”, explica. “O supermercadista precisa fechar o mês e conseguir comparar rapidamente resultado, margem, estoque e despesas com o período anterior e com as metas. Se a informação chega semanas depois, boa parte das decisões já foi tomada.”
O sinal de alerta aparece quando os indicadores começam a seguir direções diferentes: faturamento crescendo com margem em queda, estoque subindo acima das vendas, aumento de perdas, despesas avançando mais que a receita ou necessidade recorrente de crédito.
“O dono do supermercado não precisa olhar dezenas de números todos os dias. Precisa ter clareza sobre quais indicadores mostram se a loja está gerando resultado e onde o dinheiro está ficando pelo caminho. O DRE ajuda justamente a transformar o movimento da operação em uma leitura mais objetiva do negócio”, conclui Vanderlei.
Sobre a Meta Assessoria
A Meta Assessoria Empresarial é especializada em soluções contábeis, fiscais e de gestão, com presença relevante no varejo supermercadista. Vanderlei Goulart é fundador e diretor-presidente, contador e perito contábil, com mais de 30 anos de atuação e instrutor da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS). Márcio Goulart é diretor e lidera as frentes de tecnologia e processos.
Fontes de pesquisa: ABRAS — Pesquisa de Eficiência Operacional 2026.