agosto 22, 2026

Setor produtivo cobra menos entraves para o Brasil voltar a crescer

Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil, no 25º Fórum Empresarial LIDE

O Brasil reúne condições privilegiadas para atrair capital em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, corrida tecnológica e busca por energia, alimentos e minerais, mas precisa enfrentar entraves internos que pressionam quem produz. A avaliação permeou as exposições do 25º Fórum Empresarial LIDE, realizado no Rio de Janeiro. Empresários, economistas e lideranças de diferentes setores colocaram no centro do debate temas como juros, carga tributária, segurança jurídica, infraestrutura, digitalização e produtividade.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP, o cenário internacional abre uma janela relevante para o país: a demanda por energia, alimentos, petróleo, metais e minerais tem favorecido as exportações brasileiras, enquanto a expansão da inteligência artificial cria novas oportunidades, inclusive para data centers. “O mundo vê o Brasil mais como uma solução do que como um problema”, afirmou. O desafio, segundo ele, está dentro de casa: impostos e juros elevados vêm pressionando as empresas. “Por trás desses números positivos, nós temos duas distorções que vêm crescendo e que sufocam o setor privado”, disse.

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques foi ainda mais enfática ao tratar dos obstáculos enfrentados pelas empresas. “Está ficando impossível produzir nesse país para o grande, para o médio, para o pequeno”, afirmou. Daniella defendeu uma mudança para um modelo econômico baseado em produtividade e incentivo à oferta, e alertou que desequilíbrios fiscais acabam aparecendo na dívida pública, nos impostos, nos juros e no custo do crédito. “A gente precisa construir uma rampa de prosperidade e facilitar a vida, dar um choque de produtividade”, disse.

A transformação digital apareceu como outra frente decisiva para a competitividade. O CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, destacou que o setor de telecomunicações representa cerca de 3% do PIB e investe entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões por ano — a telefonia móvel já alcança todos os municípios brasileiros e o 5G chega a cerca de 70% da população. “O próximo desafio é passar de um Brasil conectado a um Brasil digital para aumentar desenvolvimento, produtividade e competitividade”, afirmou. Para o executivo, o avanço da inteligência artificial representa simultaneamente uma oportunidade e uma pressão sobre empresas, setores econômicos e a soberania dos países, o que exige modernização regulatória e previsibilidade.

Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, apontou infraestrutura, energia e indústria como pilares da “atividade construtiva real” da economia e alertou para a perda de capacidade industrial brasileira. “Nós nos desindustrializamos severamente”, afirmou. Segundo ele, o país dispõe de recursos naturais, mercado e capacidade empresarial, mas sofre com gargalos logísticos e falta de integração entre modais e regiões produtivas.

Os números apresentados pela Firjan reforçaram a dimensão econômica do desafio no Rio de Janeiro. O presidente da entidade, Luiz Césio Caetano, afirmou que um estudo da federação identificou nove novas fronteiras de desenvolvimento industrial com potencial de gerar cerca de 700 mil empregos e acrescentar R$ 210 bilhões ao PIB fluminense na próxima década — ao mesmo tempo em que entraves estruturais representariam um custo anual de quase R$ 95 bilhões às empresas instaladas no estado.

A segurança jurídica ganhou destaque também nas discussões sobre saúde e inovação. Pablo Meneses, da Rede D’Or, defendeu maior participação privada em pesquisa e desenvolvimento, condicionada à existência de regras previsíveis. Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, abordou o tema pela perspectiva institucional: “Não se fala, quando se fala em estabilidade, em engessamento do passado, mas sim em evitar surpresas desnecessárias”, afirmou.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors